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A primeira Assembleia Geral

Em 10 de Janeiro de 1912 – há 75 anos – Rolando de Viveiros assinou um aviso convocatório da assembleia geral da associação "União Micaelense", para o dia 20, às 21 horas, a fim de serem resolvidos alguns assuntos de urgência. Este anúncio foi publicado nas sucessivas edições do "Diário dos Açores".

Na sua secção de noticias locais, os redactores pediram a atenção dos sócios para esta reunião. A local, na edição da terça-feira, 16 de Janeiro, estava redigida nos seguintes termos: - "Sábado próximo, pela 9 horas da noite, haverá reunião da assembleia geral da associação União Micaelense, a fim de resolverem alguns assuntos de urgência".

Quais foram esses assuntos de urgência, não no-lo diz o jornal. Não sabemos se o arquivo do Clube foi preservado e se nele se mantém o livro de actas onde deve ter figurado o relato dessa sessão de há 75 anos, testemunhas do nascimento do Clube. De um grande clube.

Corria agitada a vida nacional, naquele começo do ano de 1912. Em Ponta Delgada e nas demais povoações Micaelenses, a vida decorria normalmente. Mas havia os republicanos da nova vaga, a quem Evaristo Ferreira Travassos chamaria " a canzoada", pessoas que ninguém antes conhecera, desejosos de prestar supostos serviços. Foi assim que camponeses Nordestenses foram enviados a Tribunal Militar, em Lisboa, sob acusação de serem aderentes dos conspiradores monárquicos, internados na Galiza.

Tomara a sua defesa, pela via oficiosa e na impressa, Abel Machado Macedo e, em Lisboa, o Tribunal julgara o processo improcedente e promovera o regresso dos supostos delinquentes à terra natal.

A União Micaelense não tinha ainda actividade desportiva, ou esta não era relevante.

Em 22 de Janeiro de 1912, o "Diário dos Açores" noticiava: "nas aulas de dança das associações União Micaelense e Empregados do Comércio e Industria dançou-se, ontem à noite, muito animadamente, tendo nesta última alguns alunos marcado várias partes das quadrilha". Quadrilhas, lanceiros, polcas e mazurcas eram danças populares do leste europeu, que entusiasmaram os nossos trisavós, hoje indistintos nas poeiras dos cemitérios.

Na sexta feira, 26 de Janeiro de 1912, o mesmo "Diário dos Açores" informava: "Realizou-se ontem um sarau dançante, na associação União Micaelense, desta cidade, onde compareceram 42 senhoras, vendo-se uma grande parte com costumes de muito bom gosto, durante até às 2 e meia horas da madrugada de hoje.

A sala estava ornamentada com vários objectos carnavalescos, produzindo um belo efeito. Às senhoras foi oferecido um serviço de chá e doces". Continuavam os folguedos próprios da quadre e por isso se lia, na edição do "Diário dos Açores" da segunda feira, 5 de Fevereiro de 1912: "Os alunos de dança da associação União Micaelense promoveram uma pequena soirée na quinta-feira última, a que compareceram muitas senhoras, que apresentaram bonitos e elegantes costumes, dançando-se com grande animação, até às 4 horas da madrugada do dia seguinte. O Sr. Chaves Costa compôs uma bonita valsa, dedicada às damas daquela associação, que foi muito apreciada".

Entretanto, por iniciativa do Director de Obras Públicas Distritais, Eng. Dinis Moreira da Mota, notável micaelense, desenvolvia-se a urbanização da mata circundante das Pedreiras da Doca e, no fundo da cratera artificial resultante da extracção de pedra, aplanara-se o piso e ficara a existir o campo Açores, aberto á actividade dos nascentes grupos de futebol. Dinis Moreira da Mota era dotado da capacidade de expor com clareza. Era um homem franco e, bastas vezes frontal nas atitudes, mas, para com os alunos, sabia usar de paciência e indulgência, que eram recordadas, muitos anos depois, pelo antigo discípulo José Cabral Júnior, que completaria os 20 anos nas trincheiras do Corpo Expedicionário Português, em França.

Fora Dinis da Mota a planear alguns elementos de futuro saudável para a juventude micaelense: - Além da mata que receberia o nome de Parque Dinis da Mota, agora inexoravelmente desfeita pelo prolongamento do Aeroporto de Ponta Delgada, que igualmente soterrou, a dezenas de metros de profundidade, o Campo dos Açores, arborizara a grande duna do Pópulo, sobranceira à pequena e abrigada praia do mesmo nome. O mesmo "Diário dos Açores", que noticiava os primeiros e risonhos passos da União Micaelense, referia o regresso de Paris de José Tavares Carreiro, primeiro representante do Banco Nacional Ultramarino em Ponta Delgada e administrador da Casa Fonte Bela, muito destacada pelos serviços à grei.