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História

O Clube União Micaelense assinala hoje (então) as suas "Bodas de Diamante".

São setenta e cinco anos ao serviço da terra, do desporto, da educação cívica e como componente do dinamismo de uma sociedade que herdou dos seus maiores a capacidade de se associar; de em conjunto, promover iniciativas que, ao longo de três lustres, tão bem marcaram a comunidade Micaelense.

Foram 75 anos de alegrias e de tristezas; de lutas e de desenganos; de dificuldades tamanhas que só o amor a um clube que sempre arrastou multidões, permitiu ultrapassar...

Foram 75 anos onde o Clube União Micaelense influenciou a sociedade insular de forma indelével, deixando bem clara a marca da sua impressão digital, em tantas iniciativas, contribuindo, sem sombra de duvida, para que a colectividade preenchesse as suas horas de lazer em actividades subordinadas ao velho principio "mens sana in corpo sano".

E aqui estamos nós, 75 anos depois, a assinalar com orgulho, sob a égide de uma equipa directiva jovem e dinâmica, uma vida inteiramente devotada ao serviço da animação colectiva.

Ainda há dias estivemos juntos das campas de nomes sonantes que tanto deram, e tanto foi, à vida e à obra do Clube União Micaelense.

Lá depositamos flores naturais da nossa terra; recolhemo-nos em silenciosa oração e elevamos o nosso espírito até junto de alguns que faziam do nosso Clube também um objectivo na vida.

Paz às suas almas.

Falar do que representaram 75 anos da vida de um Clube e de uma sociedade, não é fácil. Não é nada fácil. Por isso, o que vou expor, pode equacionar-se no titulo genérico de "Subsídios para a História do Clube União Micaelense" é porque 75 anos de contínua actividade nos campos desportivos, social e cultural, não podem ser integralmente reproduzidos num discurso a proferir numa sessão solene comemorativa duma efeméride rica de acontecimentos e de tamanha importância.

A outros, mais disponíveis e melhor credenciados, é que deverão levar a cabo a tarefa de registar para a prosperidade toda a história do Clube União Micaelense ; a sua obra, as suas iniciativas, as suas vitórias que levantaram uma ilha inteira, a sua contribuição para a caracterização de uma sociedade, elevando-o a um justo lugar de prestigio.

Há aspectos do movimento associativo açoriano que o grande público geralmente desconhece.

Elementos fornecidos pelo investigador e professor Luciano Mota Vieira, aponta como um dos exemplos o Ateneu Comercial, que em 1980 comemorou os 75 anos de existência, e que herdou o volumoso e bem elaborado livro de actas duma sociedade de promoção cultural que o precedeu.

A "Associação de Socorros Mútuos União e Trabalho", hoje com sede num primeiro andar da Rua D’água foi, no começo deste século, um organismo incentivador da instrução pública, que criou escolas, sendo uma delas na Vila da Lagoa.

A Sociedade Promotora de Instrução e Recreio, que teve existência centenária, extinta nos últimos anos 40 do presente século, na casa da esquina da rua Machado dos Santos com a rua Hintze Ribeiro, que é hoje sede do Micaelense Futebol Clube, rivalizou no século 19 com o Clube Micaelense. Nas sua sessões e festas compareciam as pessoas mais ilustradas, inclusivamente o Governador Civil do então Distrito de Ponta Delgada.

No mesmo Ateneu Comercial funcionou uma Associação Auxiliadora do Ensino Industrial e Comercial, ensinando a sério, com professores como António Maria Lopes na Língua Portuguesa e Urbano de Arruda Carreiro na Contabilidade. Importantíssimo foi o Curso Comercial da Associação dos Empregados do Comércio e Industria do Distrito Oriental dos Açores, hoje sindicato dos Profissionais de Escritório e vendas, curso que cessou nos primeiros anos 40, quando a Escola Industrial e Comercial começou a funcionar em pleno, sob o impulso do Governador Rafael Sérgio Vieira, no Solar Jácome Correia, na Rua do Mercado, onde hoje está a Escola Preparatória Roberto Ivens. Mas no começo do presente século avultou a Liga Micaelense de Instrução Pública, que teve como notável incentivador Aires Jácome Correia, Marquês de Jácome Correia, cujo primeiro centenário do nascimento, em 1982, passou quase despercebido, mas honrosamente lembrado nas actas do Instituto Cultural de Ponta Delgada. Uma das suas iniciativas, por ele generosamente financiada, foi a Escola Industrial de Rendas de Bilro que sobreviveu, com grande aceitação da juventude feminina, na velha rua do Brum, até ao final da década de 30.

Também por este tempo – estamos a referir-nos especialmente aos fins de 1911 e começos de 1912 – persistia a Sociedade Promotora de Agricultura Micaelense, com reuniões no edifício da Alameda Duque de Bragança, que é, desde há mais de cinquenta anos, sede do Observatório Meteorológico Afonso Chaves, integrado no Serviço de Meteorologia Nacional, hoje denominado Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica. Esta Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense, datando de 1843, a primeira que houve em Portugal, tinha o seu jardim agrícola, que depois pertenceu a João Augusto carreiro de Mendonça, na rua da Canada, hoje Rua do "Diário dos Açores", na área que é agora ocupada pelo grande imóvel do Banco Comercial dos Açores.

Jorge do Nascimento Cabral