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Alimentando a saudade... Recordando o passadoCLUBE UNIÃO MICAELENSE - "Histórico" do desporto Açoreano

O CLUBE UNIÃO MICAELENSE é uma das mais antigas e prestimosas colectividades desportivas dos Açores.

Prestigiosa colectividade sediada em Ponta Delgada, é, sem duvida um dos "históricos" clubes desportivos açorianos com uma existência frutuosa ao serviço da educação física e desporto, cívica e recreativa, levada a efeito nesta ilha com o vincado impacto social durante a sua longa existência de mais de 100 anos ao serviço da comunidade. Dados os serviços prestados na sua prolongada actividade, é, hoje, considerado justamente instituição de utilidade pública.

No conjunto dos seus êxitos e fracassos, nos seus sucessos e insucessos fustigado por incompreensões que deixam marcas, cantando vitórias e chorando derrotas - quando hoje os clubes abandonam o processo clássico pelo caminho vicial das empresas - nunca abdicando do espírito clubista que forma e consagra as verdadeiras colectividades ao serviço do desporto na luta pelo engrandecimento da juventude que procurava o clube para se valorizar física e moralmente, atinge nas páginas do seu historial o paroxismo do amor e do sofrimento, num viver amassado por emoções e glorias.

Os clubes, tal como as instituições, têm momentos menos bons. Passam por vezes períodos de crise cíclicos. Os momentos menos bons passam. As crises ultrapassam-se. Grave é quando a própria entidade de um clube ou instituição é colocada em crise. Grave portanto, é uma situação dessas quando não tem mais retorno.

Todos os clubes, por maior ou mais modesta, que seja a sua dimensão têm a sua própria força que os tornam respeitados.

Podem não ter como apoio o peso de uma massa associativa poderosa, podem não viverem geograficamente numa região com capacidade de fazer ouvir a sua voz, podem não reunir em si a virtualidade de servir grandes meios mas constituem isso sim nos serviços prestados durante uma vivencia duradoura um relicário de doações, boas vontades e desejos de bem servir numa acção renovadora de pessoas, cuidando com particular interesse da preparação física da juventude, oferecendo ambiente, disciplina e possibilidade de fortalecer capacidades físicas e moldar os caracteres na dignidade e cavalheirismo que são próprios da verdadeira nobreza sentimentos, aliando à saúde do corpo a elevação do espírito na altura em que os clubes eram escolas exuberantes de educação e consciência moral, onde, hora, a hora passo a passo, se cultivava o respeito mútuo, a camaradagem indissolúvel e o reconhecimento do maior valor dos próprios adversários.

O CLUBE UNIÃO MICAELENSE, como todas as agremiações nasceu da ideia e da vontade de dois ou três indivíduos que foram lentamente e em passos seguros, dando corpo e satisfação de oferecer a possibilidade a muitos de praticarem desportos num época em que predominavam a apenas a vontade de servir, numa luta titânica contra tudo e contra todos, no inicio do século a desabrochar em que o "dicionário da paroquia" não tinha o termo "subsidio-suicida" que adormece normalmente iniciativas, confunde interesses, convida ao desleixo e prejudica terceiros.

Há quem considere o ano de 1911 como o da fundação do clube. Há porem outros mais cuidadosos e sem objectivos de primazia que advogam como mais correcto o ano de 1919. Não há é dúvidas que o Clube nasceu da vontade de elementos que tinha feito parte do instituto de educação física que teve vida efémera deixando porem semente no campo da educação física que mais tarde foi colhida com proveito.

Dos primitivos estatutos não conhecemos qualquer exemplar. Tivemos acesso a uma cópia de uma alteração efectuada em 07/10/1936 e aprovada por alvará do governo civil em 18/051937, tendo o clube na altura a sua sede na Travessa dos Foros, nº 5, estando exarados no referido estatuto os seguintes objectivos:

  1. Criar e desenvolver aulas de ginástica
  2. Criar salas de leitura
  3. Realizar conferências e prelecções sobre educação física nos seus aspectos técnicos e pedagógicos
  4. Projecção cinematográfica de filmes desportivos e cultura física
  5. Criar aulas de dança
  6. Organizar orfeões e tunas determinando que só poderiam representar o clube os seus sócios ou filhos dos sócios

Foram cabouqueiros da obra que o clube hoje se orgulha e que constitui o seu invejável património desportivo que o tempo consagra e distingue os seguintes senhores:

Horácio Teves, Dr. Ricardo Montalverne de Sequeira, Aires Mariano da Silva, Jaime Gomes e Cláudio de Sousa Pereira que eram auxiliados pelo "Conselho Técnico" formado por: Dr. João Anglin, Dr. Augusto Cymbron Borges de Sousa, Dr. Raul Benevides, Dr. Filipe Álvares Cabral, Dr. Rilley da Motta e Tenente Miguel de Almeida Jr.

Na sua longa e proveitosa existência o CLUBE UNIÃO MICAELENSE andou de sede em sede. Segundo a opinião de uma testemunha idónea, a primeira ou a segunda sede do clube situava-se no canto em baixo da Rua dos Manaias.

Mais tarde e aproveitando-se do encerramento de actividades da liga desportiva micaelense, fundada em 1929 e da qual tinha sido sócio fundador, passou a ocupar a sede daquela instituição situada no edifício onde hoje se encontra a Residencial Central, edifício com condições excepcionais e das quais faziam parte um grande jardim e terreno ao ar livre onde foram implantados campos de voleibol e basquetebol e levadas a efeito as aulas de ginástica então criadas pelo clube, dando-se assim, expansão aos desejos que norteavam o clube. Basta lembrar e situamos na época na qual a educação física dava os primeiros passos a nível do país, que foi o CLUBE UNIÃO MICAELENSE que deu corpo ao inicio desta actividade, tendo convidado para coordenar a implementação dos trabalhos o consagrado professor de educação física Capitão Henrique Galvão, uma das maiores figuras nacionais na matéria, acabado de frequentar um curso da especialidade em Paris e que aqui na ilha desenvolveu uma profícua acção coadjuvada pelos Tenentes Joaquim de Sousa e Miguel de Almeida Jr.

Passado alguns anos e concluída esta faustosa actividade, vê o reverso da medalha, a decadência, as dificuldades, as canseiras.

Abandonou-se a sede, o mobiliário foi distribuído pelos seus sócios influentes que nas horas de aflição protegeram a "barca de encalhar". Depois e sem ordem cronológica foram habitadas sedes situadas na rua Dr. Bruno Tavares Carreiro, Largo da Palmeira, Largo do Colégio, Rua Dr. Guilherme Poças Falcão e presentemente na Rua dos Mercadores.

Pelo CLUBE UNIÃO MICAELENSE passaram em toda a sua existência, no campo do dirigismo, figuras das mais consagradas da sociedade micaelense, quer no campo do ensino, social, do foro cultural, das letras etc. Destacar alguns destes nomes ilustres, para além dos já mencionados cabouqueiros, seria uma injustiça, tantos foram os que serviram o clube sempre firmes nas horas altas do triunfo e no momento das derrotas, sacrificando interesses pessoais pelo prestígio do clube, conscientes do valor do problema desportivo tem nas civilizações modernas e absolutamente convictos que o desporto é um invulgar factor no progresso de um povo, uma escola de energia onde os espíritos se comunicam e se assimilam preparando-se para a defesa dos mais altos ideais.

Representaram o clube, grandes valores do desporto açoriano.

Dentro do seu vasto eclectismo muitos foram os que dignificaram as cores do clube sua representação.

No futebol, modalidade que albergou elementos de reais méritos, alguns deles devido aos seus afazeres escolares que tinham de prosseguir no continente dada a sua comprovada valia técnica passaram a envergar camisolas de clubes continentais demonstrando e evidenciando a sua classe e o valor que lhes era reconhecido. Estão neste caso e entre outros o Dr. Carlos Arruda que não só jogou futebol na Académica de Coimbra durante o seu curso de medicina, como praticou basquetebol na briosa tendo atingido a internacionalização nesta modalidade em 1932. Recordamos ainda os irmãos Carlos e José Horta, o Dr. Cristóvão Lima e João de Deus (Macedo), etc. Outra modalidade que muitos triunfos conquistou para o clube foi o hóquei em patins servido por alguns melhores jogadores açorianos de todos os tempos.

Na impossibilidade de publicar fotos de todos os valiosos jogadores que representaram o clube e tantos foram, se o chefe de redacção do jornal permitir publicaremos duas fotografias nas quais se pode observar um número grande de jogadores que muito dignificaram o clube acompanhados do saudoso mestre de educação física e futebol que foi o Prof. Augusto Moura Jr. bem como esta outra grande dedicação ao clube que foi e continua a ser o massagista António Santos e uma outra que recorda uma das melhores formações de hóquei em patins no historial do clube.

No futebol a sua mais representativa modalidade, venceu o clube os campeonatos distritais nas épocas 1928/29, 1945/46/47/48, 55/56, 58/68 venceu igualmente o torneio de classificação dos Açores à Taça de Portugal nas épocas de 1961/62 e 1961/62 cabendo lhe o feito de ser a única açoriana a vencer o Marítimo da Madeira nas tradicionais eliminatórias Açores/Madeira para apurar representante ilhéu à taça de Portugal, representando as ilhas na grande prova nacional, defrontando o categorizado Vitória de Guimarães.

E quando a maioria dos clubes sediados em Ponta Delgada, hoje, estão particularmente" hibernados" vivendo do passado, desprezando e sem cuidar do presente e comprometendo o futuro, o CLUBE UNIÃO MICAELENSE pelo contrario continua na senda de uma profícua actividade, vivendo presentemente uma das mais frutuosas épocas de existência tendo em actividades várias modalidades, algumas a nível nacional, mantendo bem vivo o ideal que esteve na base e foi alicerce da sua criação, orientado por "punhado" de dirigentes de elite, devotados à dignificação e engrandecimento a herança recebida, trabalhando em equipa a qual presidida por um dos mais validos dirigentes que passaram pela agremiação em todo o seu longo historial, Gualter Manuel Cavaco Jácome Correia da Costa actual timoneiro e já há longos anos a presidir a direcção numa entrega total merecedora e digna da simpatia e do respeito de todos os desportistas exemplo vivo e gratificante de um verdadeiro e autentico dirigente, em contraste com outros que apenas se evidenciam pela " leitura"dos jornais desportivos do continente que recusam o seu esforço numa atitude eivada de comodismo doentio e contagiante como prejuízo para o nosso melhor património açoriano, os jovens, num processo e numa atitude censurável.

São os actuais dirigentes"heróis dos nossos dias" e arquitectos do futuro que em "equipa" estão levando a cabo a realização de uma obra de grande prestígio constituída por um complexo desportivo de elevada envergadura de enorme valor desportivo, concretizando, assim, para o clube o maior feito material de toda a sua existência, honrando o seu passado e dando satisfação aos seus adeptos, obra que ficará indubitavelmente como um marco glorioso na galeria e na história do desporto açoriano. O CLUBE UNIÃO MICAELENSE um "histórico" do desporto açoriano em grande e gratificante actividade dignificando o passado e engrandecendo o futuro, no caminho do progresso e expansão da prática desportiva.